Vim para a Alemanha em 1991. Queria me aprofundar na idéia de recepção dos textos literários. No Brasil havia pouca bibliografia a respeito e fui mergulhando nos textos teóricos que meu orientador alemão indicava. No começo eu falava feito um livro, depois fui aprendendo a me comunicar com as pessoas nesta língua que tantos consideram difícil, mas que tem uma lógica que, uma vez desvendada, não oferece mais problemas. Pouco antes de colocar o ponto final na minha tese de doutorado, conheci aquele que viria a ser o meu companheiro desde então. Um ano depois, estava casada, vivendo definitivamente na Alemanha e já tínhamos um filho. Atualmente temos três. Passei um tempão em casa só criando os filhos. E escrevendo. Neste meio tempo, publiquei mais dois livros juvenis, ambos com temas relativos à vida entre dois países: Que tal passar um ano num país estrangeiro? e Na mesma sintonia, ambos pela coleção Jabuti da Editora Saraiva. Pela Paulinas, publiquei um livro infantil chamado O trator narigudo. Tenho outros textos que devem sair nos próximos tempos. Voltei a trabalhar como professora numa escola que tem muitos alunos na mesma situação que eu. Eles são filhos de imigrantes e lutam para dominar as regras da língua alemã. Como já passei por isto, entendo suas dificuldades e tenho como ajudá-los. Além disto eu cuido da bilbioteca da escola, que nem existia quando eu comecei a trabalhar lá. Hoje ela tem mais de 500 exemplares. Tudo que tem a ver com incentivo à leitura e apresentação de livros cai nas minhas mãos. Já fiz até oficina literária com as crianças. Tenho certeza de que a experiência vai me render no mínimo mais um livro...
|